Geralmente este tipo de postagem começa com o título "Como o RPg mudou minha vida". Mas, como a maioria de vocês já leu esse tipo de artigo, venho aqui com uma proposta mais radical e real. Contar a minha história, brevemente...
O RPG salvou minha vida. E isso é sério...
Quando eu tinha entre 14 e 15 anos era um analfabeto funcional (pessoa que consegue ler e escrever, mas não entende o que lê e escreve). A média das minhas notas era entre 5,5 e 7 (com esforço desumano) e a cada 3 semanas meus pais eram chamados na Escola, por que o filho deles estava envolvido com alguma bagunça.
Bagunça, aqui, significa que eu colocava bomba no banheiro, brigava (como um cão raivoso) quebrava carteiras e janelas e matava aula pra ir dar uma volta com péssimas companhias (para fumar cigarro, beber, jogar sinuca com adultos, ou ficar na esquina olhando, enquanto meus amigos "faziam algo" - nunca descobri o que eles faziam, mas tenho minha desconfiança...).
No fim das contas, meu destino caminhava para dois pontos claros: Linha Direta OU FEBEM. Em ambos os casos, o Carandiru seria minha casa hoje.
Entre outras coisas, a turminha com a qual eu andava foi presa ou morreu em tiroteios com a polícia ( fiquei sabendo anos depois.. TODOS meus amigos desta época são foragidos ou presidiários.. ou mortos).
Um belo dia resolvi alugar um rpg "Final Fantasy", pra ver como era. Não conseguia jogar e fui à banca comprar uma revista (Ação Games ou Super Games eram moda)... como não consegui achar nada, peguei a primeira onde vi "RPG" na capa e levei pra casa.
Para minha surpresa, aquilo era RPG de Mesa. Para minha surpresa, aquele "Hero Quest", "Gurps", "Vampiro" eram coisas que os moleques bobos da sala jogavam no intervalo. Então eu, um perfeito malandro da periferia, fui lá me intrometrer. Por sorte os garotos tinham medo de mim o suficiente para criar um personagem em 3 minutos e me encaixar na história. Dungeons & Dragons, disso eu lembro.
A aventura era boba: entra na sala, bate no monstro, pega o tesouro.
Eu me encantei. Sério. E eu mudei completamente, me afastei dos antigos amigos (e até levei umas porradas por isso.
Demorou até que eu me adaptasse a este novo mundo, sinceramente, pensei várias vezes em desencanar daquela besteira de nerd e ir jogar bola ou fumar atrás da escola (cigarro e algo mais pesado, nessa época a Maconha começava a aparecer).
No fim das contas, ganhei o Dungeons e Dragons de aniversário (a caixa clássica com o dragão vermelho) e mergulhei totalmente no RPG. Vício que mantenho até hoje.
Acho que é isso. Foi assim que Marcelo Cassaro, Trevisan e Saladino salvaram a minha vida, juntamente com todos vocês que, provavelmente, rolam uns dados no fim de semana.
A Revista? Aquela dragão Brasil de capa preta com as "garras" do Lobisomente rasgando-a, acho que era a Edição 4.