Literatura na escola - um breve relato

Na última quinta-feira, 17 de Março de 2011, fui à escola Pueri Domus palestras sobre o meu livro, O Baronato de Shoah e sobre a importância da educação na formação de jovens escritores.


O que encontrei por lá foi uma sala com aproximadamente 50 alunos, entre dez e doze anos (quinta à sexta série) ávidos por conhecerem a minha história. O professor deles, o Jônatas, que foi meu colega de faculdade (e amigo) preparou as classes para me receberem, falando de mim, do meu trabalho e que eles iram conhecer “um escritor de verdade”.

Qual não foi minha surpresa ao ver naqueles rostos a alegria e o brilho da curiosidade! Senti-me um Monteiro Lobato, quase uma Stephanie Meyer ou J.K Rowling apresentando meu Best-seller para jovens leitores. Parecia que o Baronato era a melhor obra de literatura já escrita por um autor brasileiro nos últimos tempos.

E, por uma manhã, ele foi.

A curiosidade e o respeito eram visíveis. As crianças não estão acostumadas a falar com escritores, por quê? Ora, a maioria de nós esta enfurnada em casa compulsivamente escrevendo (ou falando mal uns dos outros no twitter) e acaba por tornar o acesso a nosso lado “humano” praticamente impossível. Somos como Deuses, louvados através de nossas palavras, permanecendo no alto do Olimpo aguardando os louros da vitória.

Há algo muito errado aqui. Escritor tem que escrever e ler. Temos a obrigação de irmos até as escolas e eventos ler para os leitores. Interpretarmos nossos próprios escritos. Isso é natural em feiras estrangeiras: a editora marca um horário, pouco antes dos autógrafos, e o autor vai lá ler um trecho de seu livro! É fabuloso, pois cria proximidade com o público, ele se identifica, e o autor perde aquela aura quase divina que se forma ao seu redor. Uma aura que passou a afastar os leitores ao invés de aproximá-los.

Na escola as crianças começaram envergonhadas. Mas depois que eu falei de Final Fantasy e Crepúsculo elas ficaram loucas para participar. Quiseram saber se meu livro tinha romance, se tinha magia e várias outras coisas. Entre elas, queriam saber se alguém que eu conhecia era inspiração para os personagens, ou se algum evento da minha vida influenciava no livro. Comentei brevemente que os personagens são inspirados em amigos, familiares e pessoas próximas a mim, e até que meus vilões são todos inspirados em escritores ou cientistas famosos (como Tesla, Edgar e Bernard).

Eu relatei a eles, brevemente, minha experiência com RPG e de como isso mudou minha vida. Foi muito gostoso quando eles perceberam que, assim como eles, eu também tinha dificuldade em lidar com os “clássicos” da literatura e que também tinha sofrido bastante para aprender suas histórias.

No fim da palestra eles vieram conversar comigo, pedir autógrafo nos cadernos, falar sobre as coisas que eles escreviam ou de parentes seus que são escritores. Cheios de vergonha, mas depois sorridentes, os alunos faziam questão de anotar o nome do livro ou de pedir que eu deixasse alguns exemplares lá para eles comprarem depois.

Recomendo a qualquer autor que faça o mesmo. Que leve seus livros para escolas (já recebi mais dois convites para outras escolas, além de programar um retorno ao Pueri Domus, desta vez para o Ensino Médio), que seja acessível ao público e não se esconda. Assim poderemos incentivar estes novos leitores a conhecerem nosso trabalho e a descobrirem uma nova literatura que está surgindo no país.

É isso.

4 comentários:

  1. QUE FOFO, ZERO!!!!
    Nossa, deve ter sido muito gostoso!

    E o escritor deveria mesmo sair do seu mundinho umbilical e ir encarar o público, este descohecido. Ficar na torre de marfim, no blog ou enrolados em nosso cobertor de segurança é fácil, mas e encontrar-se e integrar-se com pessoas?

    Muito legal :)

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  2. Zé Roberto, Escritor engajado. ;)

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  3. Nossa Ana, as crianças fizeram fila, super envergonhadas, para pegar autógrafo nos caderninhos!
    Todas interessadas, loucas para saber de mim e dos meus amigos escritores e tals. Fui tudo muito mágico.

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  4. Se todos os escritores saíssem de suas redomas de marfim e resolvessem seguir seu exemplo, teríamos em poucos anos um país de leitores. Infelizmente, precisamos primeiro educar os escritores para, daí, podermos educar os leitores.

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